Desempenho do Ibovespa: Uma Análise Crítica e Comparativa
O Ibovespa é o principal índice da B3 e serve como um termômetro do mercado de ações brasileiro. Acompanhar o “sobe e desce” do Ibovespa é uma forma de entender o humor do mercado, mas, quando se analisa a rentabilidade, os resultados desse índice frequentemente deixam a desejar. Neste artigo, vamos explorar a performance do Ibovespa em comparação a outros indicadores de mercado e discutir a sua eficácia como benchmark.
O Que é o Ibovespa?
O Ibovespa, ou Índice Bovespa, é um indicador que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores brasileira, incluindo gigantes como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3). Embora seja um índice amplamente reconhecido, sua capacidade de refletir a rentabilidade real do mercado é questionável, especialmente em comparação a outros índices.
O Estudo da Tag Investimentos
Um estudo realizado pela Tag Investimentos, gestora com R$ 14 bilhões sob gestão, revelou que o Ibovespa tem o pior desempenho histórico em comparação a outros índices, como o CDI, IFIX, IMAT (Índice de Materiais Básicos), IDIV (Índice de Dividendos), IBLV (Índice de Baixa Volatilidade), IFNC (Índice do Setor Financeiro) e IEE (Índice de Energia Elétrica).
Performance do Ibovespa vs Outros Índices
De 2010 até janeiro de 2023, o Ibovespa subiu apenas 82%, com uma volatilidade anual de 23,56%. Em contraste, o IFIX, que reúne os principais fundos imobiliários da B3, registrou um avanço de 202,06% com uma variação anual bem menor, de 7,95%. Veja a tabela comparativa a seguir:
Ativo | Retorno desde 2010 |
CDI | 254,03% |
IBLV | 628,91% |
Ibovespa | 82% |
IDIV | 809,07% |
IFNC | 555,77% |
IEE | 728,61% |
50% IBLV + 50% IDIV | 719,37% |
Análise da Performance
Ao considerar a performance desde 2025, o Ibovespa teve um resultado de 275,23%, mas ainda assim ficou atrás de outros índices, como IDIV, IEE, IBLV e IFNC, que registraram valorizações de até 815,02% no mesmo período. Esses dados reforçam a conclusão da Tag Investimentos de que o Ibovespa é ineficiente como benchmark.
Por Que o Ibovespa é Ineficiente?
A maior parte do retorno no Brasil provém de dividendos, e não da apreciação de capital, segundo a análise da Tag Investimentos. Isso significa que um índice mais apropriado para a realidade do mercado brasileiro seria uma combinação de 50% do IBLV e 50% do IDIV. Essa combinação ofereceria maior estabilidade aos portfólios, reduzindo perdas em momentos de crise econômica.
Características do IBLV e IDIV
- IDIV: Composto por empresas que apresentam margens sólidas e alta previsibilidade de lucros.
- IBLV: Seleciona companhias menos voláteis, favorecendo retornos mais sustentáveis.
Esses fatores fazem com que um índice baseado nessas duas carteiras teóricas seja mais adequado para investidores que buscam estabilidade e segurança em seus investimentos.
O Portfólio do Ibovespa
Atualmente, o Ibovespa possui 87 ações, que representam 80% do volume financeiro do mercado de capitais. As alterações na composição do índice ocorrem a cada quatro meses, com critérios rigorosos para a seleção de ações, evitando, por exemplo, “penny stocks” (ações com valor abaixo de R$1).
Critérios de Seleção e Ponderação
A B3, a bolsa de valores brasileira, explicou que o índice de negociabilidade (IN) não é utilizado como critério de ponderação na metodologia do Ibovespa. Isso significa que a seleção e ponderação das ações podem não refletir a verdadeira saúde do mercado.
A Importância dos Dividendos
A conclusão da Tag Investimentos é clara: os investidores devem focar em ações que pagam bons dividendos e que sejam menos dependentes dos ciclos econômicos. As companhias que oferecem os maiores retornos anualizados geralmente apresentam baixa volatilidade.
Exemplos de Ações Estáveis
Empresas como Taesa (TAE11), Ambev (ABEV3) e Klabin (KLBN11) são exemplos de companhias que se destacam nesse perfil. Segundo a gestora, essas empresas nunca são as melhores nem as piores em termos de performance, mas oferecem estabilidade, que é fundamental em um portfólio de longo prazo.
A Importância do Reinvestimento de Dividendos
A economista Louise Barsi, sócia fundadora do AGF, enfatiza que apenas alocar capital em ações boas pagadoras de dividendos não é suficiente para garantir sucesso na bolsa. O verdadeiro “segredo” está no reinvestimento dos dividendos, acompanhado de aportes periódicos. Essa estratégia permite que os investidores se beneficiem dos efeitos dos juros compostos ao longo do tempo.
Portfólios Eficientes
Para investidores de longo prazo, o Ibovespa pode ser considerado irrelevante, segundo Barsi. Isso se deve à sua concentração em empresas ligadas a commodities e grandes bancos. Ao invés disso, um portfólio eficiente deve incluir empresas com modelos de negócios maduros e resilientes aos ciclos econômicos.
O Método BESTT
O método “BESTT”, criado pelo renomado investidor Luiz Barsi, é uma abordagem que seleciona cinco setores da Bolsa de Valores que são considerados “à prova de bala”. Esses setores incluem:
- Bancos
- Energia
- Saneamento
- Seguros
- Telecomunicações
Esses setores oferecem serviços essenciais e costumam garantir bons rendimentos de forma regular, tornando-se opções ideais para investidores que buscam estabilidade e segurança.
A análise do desempenho do Ibovespa em comparação a outros índices é crucial para investidores que buscam maximizar seus retornos. Embora o Ibovespa seja amplamente seguido, sua eficácia como benchmark é questionável. Focar em ações que pagam bons dividendos e reinvestir esses retornos pode ser uma estratégia muito mais eficaz para construir um portfólio sólido e resiliente. Ao entender as nuances do mercado e utilizar métodos como o BESTT, os investidores podem alcançar melhores resultados a longo prazo.