GPA: Mudanças no Conselho e Perspectivas para o Futuro

GPA: Mudanças no Conselho e Perspectivas para o Futuro

O GPA (PCAR3) está passando por um momento significativo de transformação, após aceitar o pedido do fundo de investimento Saint German, controlado pelo investidor Nelson Tanure, para convocar uma assembleia extraordinária de acionistas. O objetivo é dissolver o atual conselho de administração e eleger um novo colegiado para um mandato de dois anos. Essa movimentação já teve um impacto positivo nas ações da companhia, que subiram 13,60%, alcançando R$ 3,09 após o anúncio.

O Papel de Nelson Tanure e o Novo Conselho

Nelson Tanure, que possui uma participação de 10% no GPA, já teria um acordo com o Grupo Casino, que detém 22,5% das ações, e com Ronaldo Iabrudi, que possui 6%. Esses acionistas estão alinhados na aprovação da mudança no conselho, o que pode ser um passo crucial para redefinir a direção da empresa.

O novo conselho proposto inclui importantes nomes do mercado, como Ronaldo Iabrudi como Presidente, Cristophe Hidalgo como Vice-Presidente, e Marcelo Pimentel, atual CEO do GPA. Com essa nova estrutura, as expectativas são de que o GPA passe a focar em duas áreas fundamentais:

  1. Maior eficiência de custos e despesas: A reestruturação busca otimizar operações, reduzindo gastos desnecessários e melhorando a margem de lucro da empresa.
  2. Redução da alavancagem: Isso pode ser alcançado através da venda de ativos não essenciais e da mitigação de contingências, como questões trabalhistas e tributárias, que são relevantes para a saúde financeira do GPA.

Expectativas do Mercado

Os analistas do JPMorgan já previam uma reação positiva das ações do GPA ao anúncio da assembleia extraordinária. Eles acreditam que o novo conselho não interromperá as atividades em andamento, o que é um sinal tranquilizador para os investidores. Além disso, a possibilidade de uma mudança de controle está no radar, uma vez que o Grupo Casino declarou que sua participação na GPA está à venda, e Tanure estaria buscando adquirir essa participação.

Essa movimentação não é apenas uma questão de gerenciamento; trata-se de uma estratégia que pode levar a uma fusão com o Dia Brasil, que foi adquirido por Tanure no final de 2024. Uma fusão com o Dia poderia não apenas consolidar operações, mas também ajudar a reduzir os riscos associados à expansão em um contexto de alta alavancagem e taxas de juros restritivas.

A Pílula de Veneno e os Riscos Envolvidos

Os analistas ressaltam que o GPA possui uma “pílula de veneno”, que é um mecanismo de defesa acionado em caso de uma oferta pública de aquisição (OPA) se um acionista ultrapassar 25% das ações. Isso pode complicar a entrada de novos investidores e deve ser considerado por aqueles que planejam aumentar suas participações.

A atual situação financeira do GPA também é um ponto de atenção. Com a negociação a 4,8 vezes o Valor da Firma (EV)/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2025 e um balanço alavancado de 3,9 vezes Dívida líquida/Ebitda ajustado, o JPMorgan reiterou sua recomendação de “underweight” para as ações do GPA. Isso significa que a recomendação é para uma exposição abaixo da média do mercado, refletindo preocupações com a alavancagem financeira da empresa.

O Novo Conselho e Seus Desafios

O novo conselho, além de incluir Ronaldo Iabrudi e Cristophe Hidalgo, conta com outros profissionais experientes, como Helene Esther, Diretora de M&A do Grupo Casino, e Rodrigo Pontes, CFO da Light (LIGT3). Esta diversidade de experiências e conhecimentos é crucial para implementar as mudanças necessárias e enfrentar os desafios do mercado.

A presença de figuras como Eliana Chimenti, advogada, e Sebastian Los, ex-CEO da Cencosud Brasil, traz uma visão valiosa para as operações do GPA. Com um conselho forte e diversificado, a expectativa é que o GPA possa navegar com mais eficácia as complexidades do mercado de varejo brasileiro.

O GPA está em um momento crítico de sua trajetória. As mudanças no conselho de administração, impulsionadas pela iniciativa de Nelson Tanure e o apoio do Grupo Casino, podem representar um ponto de virada para a empresa. Com um foco em eficiência, redução de alavancagem e potencial fusão com o Dia Brasil, o GPA tem a oportunidade de se reestruturar e se fortalecer em um mercado competitivo.

Os investidores devem acompanhar de perto os desdobramentos dessa assembleia extraordinária e as ações do novo conselho. A capacidade de implementar mudanças eficazes e responder rapidamente às dinâmicas do mercado será essencial para o futuro do GPA.